terça-feira, 23 de maio de 2017

Delegados da Lava Jato que fizeram campanha para Aécio, não sabiam da corrupção do tucano?


Do Tijolaço, de Fernando Brito: Marcelo Auler, em seu blog, relembra detalhes do comportamento dos delegados da Operação Lava Jato – e também do juiz Sérgio Moro – diante de Aécio Neves, agora desmascarado e com um pedido de prisão pendente contra ele no STF. 



O policiais, tão capazes de saber de tudo e mais um pouco que pudesse ser atribuído a Lula e Dilma, não sabiam de nada sobre o senador tucano, para quem chegaram a montar um grupo de apoio eleitoral na internet.

 

Aécio, o queridinho dos operadores da Lava Jato

Marcelo Auler, em seu blog

Outubro de 2014, no Facebook, acima de diversas fotos do candidato à presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, rodeado de vistosas mulheres, o delegado de Polícia Federal, Igor Romário de Paulo, chefe da Delegacia Regional do Combate ao Crime Organizado (DRCOR) no Paraná, apontado pelo agente Dalmey Fernando Werlang como autor da ordem para instalar um grampo ilegal na cela que receberia o doleiro Alberto Youssef, postou em um grupo fechado:



   
Aécio Neves: O vídeo que está chocando a internet

“Este é o cara!”.

Dias depois, às vésperas do segundo turno que reelegeu Dilma Rousseff, do PT, o delegado federal encarregado das investigações da Operação Lava Jato, Márcio Anselmo Adriano, comentou a notícia na qual Luiz Inácio Lula da Silva dizia que Aécio não era “homem sério e de respeito”. Márcio Anselmo escreveu:

“O que é ser homem sério e de respeito? Depende da concepção de cada um. Para Lula realmente Aécio não deve ser“.


Não demorou muito e o delegado Mauricio Moscardi Grillo, que em sindicância concluiu que o grampo na cela de Alberto Youssef era inoperante, apesar de ele ter registrado 263 horas e 41 minutos de conversas – leia em Armação Federal II: “indisciplinas” do DPF Moscardi -, também deixou sua digital na campanha de Aécio. Abaixo do comentário de Márcio Anselmo, postou uma propaganda eleitoral do tucano segundo a qual Lula e Dilma sabiam de toda a corrupção do esquema da Petrobras, acrescentando:

“Acorda!”.

As postagens vieram a público em 13 de novembro daquele ano, já com a eleição definida. Foram reveladas na reportagem de Júlia Duailibi, em O Estado de S. Paulo: Delegados da Lava Jato exaltam Aécio e atacam PT na rede.

Continue lendo no blog do Marcelo Auler.

[VÍDEO] Vereadora (PMDB) gaúcha chama nordestinos de ladrões: "só sabem roubar"


Pronunciamento de vereadora da cidade de Farroupilha, no Rio Grande do Sul, provocou indignação nas redes sociais. Depois da repercussão, Eleonora Broilo tentou se justificar e disse que foi mal interpretada





Jurista: "Temos presidente no Brasil que age como mafioso".

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247 – O jurista e professor Luiz Flávio Gomes, doutor em Direito Penal, acredita que Michel Temer deva "renunciar imediatamente" após a divulgação do áudio do empresário Joesley Batista, do grupo JBS, em delação premiada.


"Eu vejo esse áudio como o encontro do máfia, que não se encontra visivelmente. Eles escolheram o porão do Palácio do Jaburu às 23h. Isso é coisa de máfia", opinou, em entrevista concedida à TV 247 nesta segunda-feira 22. "Joesley veio da máfia, do crime organizado, prestar contas ao chefão", disse.


"Nossa situação hoje está igualzinha à da Guatemala, e o povo ficou um ano batendo, batendo no presidente corrupto e por tráfico de entorpecentes. No final, o povo venceu e o presidente está na cadeia. No caso da Coreia do Sul, a presidenta está acusada de corrupção, inclusive envolvendo a empresa Samsung, já começou o impeachment, mas ela já está na cadeia", comparou o jurista.

   
Aécio Neves: O vídeo que está chocando a internet

Na entrevista, Luiz Flávio Gomes explica por que o crime do senador Aécio Neves (PSDB-MG) não pode ser considerado flagrante, única razão que pode levar um parlamentar à prisão, como foi o caso do ex-senador Delcídio Amaral, que acabou sendo preso.

Segundo o jurista, os dois casos são "bem diferentes", pois Delcídio ainda estava cometendo o crime, ao efetuar pagamentos a Nestor Cerveró em troca de seu silêncio na prisão, ou seja, o crime ainda estava sendo cometido, enquanto o de Aécio foi concluído – a entrega de R$ 2 milhões pelo empresário Joesley Batista a um primo seu, Frederico Pacheco, Fred, a pedido do senador tucano.

Assista abaixo à íntegra:


Andrea Neves pede para ser solta e joga culpa no irmão Aécio

Cristiane Mattos/Reuters | Edilson Rodrigues/Agência Senado


Minas 247 - Os advogados de defesa de Andrea Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves (PSDB-PE), pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) revogação da prisão preventiva e a respectiva comutação em medidas alternativas. O advogado Marcelo Leonardo diz que ela não tem participação nos crimes praticados pelo irmão. "O pedido do PGR (procurador-geral da República, Rodrigo Janot), e a decisão agravada (do ministro do STF, Edson Fachin), em verdade, apontam razões que, se existentes, poderiam ser aplicadas para a pessoa física do senador Aécio Neves, nunca para sua irmã Andrea, residente na região de Belo Horizonte e sem qualquer ação política pessoal", justificou.


"A jurisprudência dos Tribunais Superiores rejeita a tentativa de justificar prisão preventiva de uma pessoa com fundamentos aplicáveis a outra, por violação do princípio pessoalidade da responsabilidade penal, do qual decorre a imperiosa necessidade de individualização da fundamentação da prisão preventiva", completou.


Andrea Neves foi presa na semana passada na esteira da delação premiada feita pelo empresário Joesley Batista, do grupo JBS, que atingiu em cheio Aécio Neves e Michel Temer. Na gravação feita por Joesley, Aécio aparece pedindo R$ 2 milhões em propina alegando que o dinheiro seria utilizado para pagar despesas com advogados da Lava Jato.

   
Aécio Neves: O vídeo que está chocando a internet

"O único e isolado episódio que teve participação de Andrea Neves foi a sua conversa com o delator premiadíssimo Joesley, pessoa que até então ela não conhecia, como reconhecido pelo mesmo, quando lhe fez a solicitação de ajuda para custeio de despesas lícitas, mediante a oferta do imóvel de sua mãe, que foi recusada pelo delator premiadíssimo Joesley, que preferiu conversar, diretamente, com o senador Aécio Neves, cujo encontro foi marcado, com conhecimento de Andrea, a qual não teve mais nenhuma participação nos fatos, tendo cessado sua intervenção neste ponto", ressalta um trecho da ação impetrada pelos advogados de Andreia junto ao STF.

Vergonha escancarada: Em grampo, Gilmar Mendes promete ajudar Aécio Neves

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Aécio e Gilmar Mendes articulando sobre a lei de abuso de autoridade.
É nojento e asqueroso saber que um ministro do STF está agindo politicamente contra o País.





Nassif dá um xeque-mate de jornalismo no golpe da Globo, dos autoritários e dos corruptos


No Jornal GGN. Xadrez da última aposta da Globo

A crise política entra em um momento crítico, submetido a uma ampla entropia.


O único fio condutor da aliança – o antipetismo – esfumaçou-se. A facilidade de atribuir todos os males do país à Presidência volta-se contra o golpe. E o fato da Globo pular do barco Temer e tentar comandar o próximo barco tornam ela – e o MPF – daqui por diante, os únicos responsáveis por tudo de mal que acontecer no país.



Sem o fator de coesão, o golpe tornou-se um vale-tudo. De um lado, Temer mantem aliados comprados a peso de ouro – deputados, com cargos e emendas; imprensa, com verbas publicitárias. Mas esse jogo de interesses vale apenas até o momento em que cair a ficha de que o governo não tem mais futuro.

   
Aécio Neves: O vídeo que está chocando a internet

E se está muito perto desse momento.

Com essa investida sobre Temer, sem a blindagem do antipetismo, a Globo definitivamente virou o fio. Ela e o MPF se tornam – agora, aos olhos de todos – os grandes agentes de desestabilização do país.

Essa pode ser a grande contribuição dela, de se tornar o fator de aglutinação do que resta de bom senso no quadro político atual. E, tudo isso, poderá desembocar em eleições diretas-já.

Vamos entender um pouco melhor os desdobramentos do golpe.

Momento 1 – o avanço do estado policial

Por qualquer ângulo que se olhe, por qualquer capivara que se analise, a operação da Procuradoria Geral da República contra o presidente da República foi abusiva. Amplia-se de forma inédita o estado policial no país, com a delação e o grampo entrando por todos os poros da vida nacional, incutindo a desconfiança em todas as relações sociais e convertendo o país no paraíso dos criminosos delatores



Gravar um presidente da República – ainda que seja um desqualificado como Michel Temer –, e expô-lo ao julgamento de uma emissora de televisão é de uma gravidade extrema, típica de países doentes.

Essa conta será cobrada da Globo e do Ministério Público Federal, ao menor sinal de recomposição do poder político.

Mesmo assim, não se pode varrer para baixo do tapete o que foi levantado. Trata-se do presidente mais sem noção e mais inescrupuloso da história.

Momento 2 – dar baixa no governo Temer
A desfaçatez de Temer, de reunir-se às escondidas, em pleno Palácio do Jaburu, com seu maior financiador, é do mesmo nível da falta de limites de sua turma, Eliseu Padilha, Moreira Franco, Geddel Vieira Lima. A única coisa que os diferencia é o uso da mesóclise.

Agora, aliados antigos e eventuais, oportunistas de todas as espécies, pulam do barco: não há a menor probabilidade de sobrevivência do governo Temer.

É uma guerra inglória. Temer é uma das fichas mais sujas da República. Há um caminhão de episódios e evidências o envolvendo que, certamente, não estão restritos aos grampos praticados.

O que já se sabe sobre suas estripulias garantem um mês de cobertura diária da Globo.

A ficha conhecida de Temer
1. O coronel da reserva da PM, José Antunes Sobrinho, há muitos anos conhecido como receptador de caixa 2 para Temer e cujos arquivos foram recolhidos pela operação. Há tempos sua atuação era conhecida da Lava Jato do Paraná, que nada fez para aprofundar as investigações (https://goo.gl/h1xXbC).

2. Os esquemas com José Yunes e seu arquipélago de offshores, já levantados anteriormente (https://goo.gl/FlcCEE).

3. O longo histórico do deputado Rodrigo Rocha Loures, um dos principais operadores de Temer, que, mesmo assim, teve o atrevimento de levá-lo para dentro do governo.

4. Os negócios com o grupo Libra. Aliás, basta a PGR consultar a AGU (Advocacia Geral da União) sobre as pressões pessoais de Temer, para validar um acordo administrativo que livrasse a Libra de uma multa bilionária. Ou então as matérias mostrando as jogadas de Wagner Rossi (outro operador de Temer), quando presidente da Companhia Docas de Santos com Temer (leia os comentários do post https://goo.gl/7txeZh). Em nenhum momento a Lava Jato se interessou em agregar esses inquéritos em suas investigações.

As provas da JBS
É ingenuidade supor que o PGR Rodrigo Janot e o Ministro Luiz Edson Fachin investiriam contra Aécio Neves e Temer baseados apenas nas delações. É evidente que estão ancorados em quilos de documentos.

Além disso, houve busca e apreensão de documentos e equipamentos em locais críticos para Temer, como os escritórios da Argeplan.

Momento 3 – a guerra da mídia
A perícia técnica na gravação
Nenhum jornalista minimamente experiente bancaria o laudo do tal perito-corretor de imóveis. É um documento tecnicamente vergonhoso. Tem o mesmo valor do laudo de Francisco Molina sobre a bolinha de papel no cocoruto do José Serra. Um laudo imprestável em que o perito usa o programa Audacity, meramente indica pontos de defeito na gravação, e termina taxativo dizendo que a prova é inservível.

O Audacity é tão amador que até eu tenho no meu computador para digitalizar LPs.

O apoio volátil dos jornais
O apoio da Folha e do Estadão a Temer durará o tempo justo para que um próximo governo de coalizão garanta a manutenção do pacote publicitário montado pelo ínclito Eliseu Padilha.

Aliás, bastará um deputado ou senador requisitar à Secom, Petrobras e Caixa Econômica Federal os mapas de mídia e de patrocínio para minar o apoio.

O álibi da estabilidade econômica
Otávio Frias Filho, da Folha, abriu mão da prudência e saiu a campo defendendo Temer com um discurso sem nexo (https://goo.gl/UinykA): Temer seria um novo Campos Salles que estaria se sacrificando, preparando o terreno econômico para que o seu sucessor possa brilhar.

Um teto de despesas não-factível, reformas radicais enfiadas goela abaixo da população, com 90% de desaprovação, cortes radicais em programas sociais ao mesmo tempo em que amplia os limites das emendas parlamentares, aparelhamento geral do Estado, inclusive em áreas antes preservadas, como a Eletronuclear, comprometimento de 40% do orçamento com juros, tudo isso e uma expectativa de crescimento de menos de um ponto, depois de 8 pontos de queda, é uma preparação de terreno para o caos, não para o paraíso.

Além disso, se um dos elementos da estabilização é a previsibilidade, como pensar em estabilidade econômica, com um presidente que pode, a qualquer momento, ser denunciado, processado, condenado, apeado do poder e preso?

O único ganho da Folha foi trocar a coluna semanal de Aécio por Marcos Augusto Gonçalves, que nos brindou com um artigo-lava-alma (https://goo.gl/3M6TzO).

Mais prudente foi o Estadão, jogando na conta do repórter matérias como esta (https://goo.gl/IU8hHw), na qual o aquário manda o título e o lide e o pobre repórter é obrigado a correr atrás do recheio. Sai isso, só generalidades.

Movimento 4 – o estado policial da Globo e do MPF
Com a aposta na queda de Temer, a Globo e o MPF (agora, através do Procurador Geral da República) atravessam definitivamente o Rubicão. Para o seu público, não há mais o álibi do antipetismo e nem o falso salvacionismo econômico que embasou a campanha do impeachment de Dilma. Trata-se exclusivamente de uma disputa de poder, incompatível com qualquer quadro de normalidade democrática.

Ontem à noite, um evento juntou mais de 200 advogados de todas as linhas políticas – incluindo a OAB-SP – contra o arbítrio. Parte relevante integrava até outro dia o clube de aliados incondicionais da Globo e dos defensores do impeachment.

Enquanto isto, o programa Fantástico de ontem abusava do massacre. Transformou em escândalo até o fato de um funcionário do BNDES ser membro do Conselho Deliberativo da JBS (https://goo.gl/jna8Oc). Meu Deus! Qualquer repórter minimamente bem-intencionado e informado saberia que grandes acionistas de empresas – como é o caso do BNDES com a JBS – tem assentos no Conselho Deliberativo. Ele não era um agente da JBS no BNDES: era um representante oficial do BNDES na JBS. Como criminalizar assim uma pessoa, para dezenas de milhões de espectadores, com base apenas nesse fato?

O maior exemplo da perda de rumo da Globo é o comportamento de seus jornalistas. Comportam-se como caubóis bêbados em saloons de filmes de faroeste, atirando a esmo, em qualquer vulto que se mova, típico de um exército obedecendo a ordens genéricas, sem uma estratégia sequer.

Movimento 5 – diretas-já
Diretas-já ainda é uma proposta em andamento. Não há elementos para afirmar que será vitoriosa. Dependerá de uma desarrumação ainda maior no jogo político do golpe.

Mas, de qualquer modo, há sinais de tentativas de, finalmente, discutir um pacto nacional. Até Fernando Henrique Cardoso, escorregadio como um bagre ensaboado, começa a se dar conta da loucura da campanha delenda PT.

O pacto político terá enormes desafios pela frente.

Desafio 1 – livrar o país da bancada da JBS e Odebrecht
Não é desafio trivial, mas é urgente. Teria que haver eleições gerais com mudanças na legislação eleitoral. Derrubado Temer, há o risco de Rodrigo Maia assumir.

Desafio 2 – coibir os superpoderes da Globo
Os episódios Dilma e Temer comprovam que é impossível a um país democrático conviver com o poder concentrado em uma organização jornalística como a Globo. É tarefa de todas as forças democráticas, assim que for eleito um novo presidente.

Desafio 3 – mudanças estruturais no MPF e no Judiciário
Graças aos seus penalistas, o MPF se tornou um poder ameaçador, em que pese a enorme contribuição ao país da parte dos direitos humanos e difusos. Os abusos de poder de procuradores e juízes de primeira instância arrostam princípios mínimos de direitos individuais.

O novo presidente terá que alterar as formas de escolha do Procurador Geral e de indicação do próprio Conselho Superior do Ministério Público. E empreender uma enorme discussão política, para trazer o Conselho Nacional de Justiça ao seu leito constitucional, de fiscal do Judiciário.

Há dois caminhos pela frente:

A eleição indireta, visando preparar o país para as eleições de 2018.

Nesse caso, dos nomes aventados, o ex-Ministro Nelson Jobim é o favorito, por sua familiaridade com o PSDB e com o STF, com o militares e com Lula.

Eleições diretas.

Haverá dos grupos em disputa: os lulistas e os antilulistas. A governabilidade só será assegurada se, antes, houver esse pacto para o fortalecimento do centro político.

Cinco motivos para desconfiar da Globo em sua campanha para derrubar Temer

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Por Joaquim de Carvalho - O escândalo que fez de Michel Temer e de Aécio Neves mortos vivos da política brasileira não teria a mesma repercussão se a Rede Globo não estivesse com seus canhões mirados nos dois.


Mas é preciso separar o joio do trigo – no caso, um tipo de trigo é o trabalho dos procuradores da República e dos policiais federais em Brasília que, ao contrário de seus colegas no Paraná, trabalharam e trabalham em silêncio.


Eles apuram fatos, reúnem provas e estas falam por si.

Já a Globo, como fez no Fantástico deste domingo, começa a fazer uma campanha pela moralidade pública.

   
Aécio Neves: O vídeo que está chocando a internet

Nada contra.

Mas a Globo, liderando uma campanha desse tipo, é como ver a raposa tomando conta do galinheiro.

Cinco motivos para não confiar na emissora da família Marinho — dos mais recentes aos mais antigos:



  1. Paula Marinho, neta de Roberto Marinho, filha de João Roberto, um dos três proprietários da Rede Globo, era uma das clientes do escritório da Mossak Fonseca no Brasil. Segundo papelada apreendida pela Polícia Federal – e até agora não investigada –, ela pagava pela manutenção de uma offshore incluída no escândalo internacional de lavagem de dinheiro conhecido como Panamá Papers. A offshore, Vaincre, é a real proprietária da Paraty House.
  2. Eu estive nas Ilhas Virgens Britânicas e mostrei que a emissora abriu uma empresa de fachada, que, segundo a Receita Federal, serviu de veículo para sonegar impostos no Brasil devidos pela compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo em 2002. A fraude foi comprovada, mas o processo que incrimina os donos da Globo foram furtados do escritório da Receita no Rio de Janeiro na véspera de ser encaminhado para o Ministério Público Federal.
  3. A Globo manteve na Europa a jornalista Miriam Dutra, que dizia ter um filho com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Miriam recebeu salário durante muito tempo sem trabalhar e, segundo ela, a Globo foi beneficiada por mantê-la numa espécie de exílio. Entre os favores, segundo ela, estavam financiamentos do BNDES.
  4. A Globo apoiou a eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral com a condição de nomear o então ministro das Comunicações, que, mais tarde, ajudou a sufocar o dono de uma empresa que a Globo acabou comprando a preço vil. O caso está bem descrito no livro A História Secreta da Rede Globo, de Daniel Herz, e também no documentário Muito Além do Cidadão Kane.
  5. A Globo foi criada na década de 60 com dinheiro do grupo Time Life, americano, no auge da guerra fria. Essa injeção de dinheiro estrangeiro era proibida na época, e uma CPI no Congresso Nacional concluiu que a Globo não poderia ser concessionária de radiodifusão, em razão de fraudes – o dinheiro do grupo estrangeiro seguiu caminho subterrâneo, para disfarçar a sociedade com Roberto Marinho. Na época, desapareceu de um cartório no Rio de Janeiro a página do livro que descrevia um arrendamento de fachada. Na véspera do AI 5, a Globo ganhou a concessão em caráter definitivo.
Poderia citar muito mais aqui, como o empréstimo a juro subsidiado no governo Collor para construir o Projac, o lobby da Globo que transformou o horário eleitoral gratuito em crédito tributário ou a pressão sobre o governo estadual do Rio de Janeiro para alterar legislação de proteção ambiental e permitir a construção de edifícios no Jardim Botânico – especificamente o Parque Lage.



Por causa disso, o ex-governador Carlos Lacerda, que denunciou a pressão da Globo, chamou Roberto Marinho de Al Capone brasileiro.

A história dirá o que a Globo ganha com a queda de Michel Temer – de graça, pelo histórico da emissora, não é. Mas, neste tempo, sem os canhões dela, Michel se fortalece.

A Globo ergueu seu império graças aos “favores especiais” que prestou aos governos.

O livro Dossiê Geisel, baseado em documentos do general Ernesto Geisel em seus dias na presidência, cita essa expressão, como tendo sido criada por Roberto Marinho

O fundador da Globo a usou para cobrar novas concessões de rádio e tv, como retribuição pelo que fazia em defesa da ditadura. Uma troca de favores especiais.

O ministro das Comunicações, Quandt de Oliveira, era contra, porque via nas novas concessões o risco da família Marinho atingir o monopólio do setor.

Como se vê hoje, Quandt perdeu na disputa.

E a Globo, na troca de favores com os militares, alcançou índices de audiência só comparáveis a estatais de TV em governos autoritários, como a Coreia do Norte, onde não existe concorrência.

O ex-governador Leonal Brizola, o único do primeiro escalão da política brasileira que não teve medo de enfrentar a família Marinho, dizia que é fácil saber o que é melhor para o Brasil.

Basta ir na direção contrária ao que defende a Globo.

A situação no País hoje é mais complexa e seguir na direção contrária à da Rede Globo significa, neste momento, apoiar Michel Temer.

Simplesmente, não dá.

A história do joio e do trigo é uma metáfora cristã, que diz que é preciso esperar que o joio e o trigo cresçam para que se identifique o que é joio e o que é trigo. E aí, sim, arrancar o que não presta, sem o risco de, ao retirar o joio, acabar também com a plantação de trigo.

A Globo é joio e cabe atenção para que, com a queda dos seus antigos aliados golpistas, ela não apresente a fatura.

Pode não parecer, mas é a Globo que é uma concessão do Brasil. E não o contrário.